terça-feira, 8 de maio de 2012

Naquela época...


Você já acordou com uma sensação estranha? Estranha no bom sentido. Aquele dia que parece que tudo está diferente, ou então, que tudo está como você sempre quis que estivesse? Hoje acordei assim. O meu coração tem várias gavetas. Numa delas, fechada por chaves e códigos, está guardada a minha infância. Queria tanto voltar para lá. Não estou reclamando do hoje, mas acho que naquela época muita coisa era mais legal, as pessoas eram mais legais, as brincadeiras eram melhores, etc. Incrível isso. Tenho convicção de que era pela minha ingenuidade. Quando somos ingênuos e inocentes, tudo parece bom para nós. Lembro-me de quando passava horas no escritório onde meu pai trabalhava, brincando com ele no computador. E era MS-DOS! Nós ficávamos imprimindo uns desenhos de um programa que estava instalado lá. Éramos felizes, e isso me faz tanta falta... Sinto falta daquele amor, daquela inocência, daquele descompromisso com as coisas. Vejo que a vida não é fácil! Vejo agora que ser "gente grande" é difícil. As responsabilidades aumentam, as coisas dificultam, a vida impõe pressão, e sempre procuramos um escape! Seja ao ficar horas na frente dessa tela imunda, o computador, seja ao nos trancarmos em um quarto para ler e esvaziar nossas reservas de lágrimas, seja ao ouvir música durante o dia todo... tudo para fugir da realidade. E será que essa realidade é aquilo que queremos mesmo? Eu penso seguidamente e muito seriamente se tudo o que eu faço vale a pena. Me refiro a ficar estudando e estudando, a perder a cabeça com bobagens, a ficar nervoso com meu irmão quando ele pega algo que é meu, a ficar alegre quando consigo ir bem numa prova. Será que isso é felicidade?

"Quero ser feliz, não quero ser Phd!", me contou um amigo. Estávamos conversando a respeito da faculdade, e ele me contava, até meio abatido, o quão difícil era trabalhar com seu professor Phd, que viajava todos os dias e não tinha tempo para a família. É aí que eu penso: "Será que vale, mesmo?". Será que ficar na internet vale mais do que um abraço ou uma conversa com uma pessoa amada? Será que perder tempo nas tecnologias é mais importante do que um bate-papo legal com aquela turma? Esses dias mesmo, um amigo me ligou pra tratarmos de negócios. Fazia cerca de um ano que não conversávamos mais. Fomos colegas no ensino médio, isso há dois anos. Conversar com ele fez brotar uma saudade dentro de mim. Saudades de lidar com pessoas que amo, de viver situações que amo. Naquela época em que ouvir Mamonas Assassinas, sem entender uma sequer das maliciosas letras, era diversão, na época em que a internet era privilégio de poucos e as pessoas se importavam somente com o sólido e não com o virtual, naquela época em que ainda se conversava e não teclava, naquela época...

Texto publicado dia 5 de Julho de 2007, quinta-feira, em http://comemipiace2.blogspot.com.br

Pra refletir...

Inicio hoje uma sessão de reativação. Republicando meus melhores textos antigos de um outro blog, uma visão de um tempo que passou.

--

Dia 14 de Fevereiro de 2007 um incidente estava pronto pra acontecer. A viagem de volta era marcada para a terça-feira, dia 13. Entre umas e outras, foi decidido ficar na praia pra aproveitar mais. O problema já estava se armando. Dessa maneira, foi devolvida a passagem de volta e então foi aproveitado mais um dia no mar. Na quarta, dia 14, a tentativa seria consumada. Entre brincadeiras e outras, decidiram entrar no mar o mais velho, seu irmão, e seu primo mais novo. Depois de um tempo, isso já perto das 19h30min, o primo mais velho, depois de tanta insistência, decidiu entrar para aproveitar o último dia de férias, que poderia ser o último dia da vida de alguns. Entre uma onda e outra, maré alta e muito violento o vento, o mar puxa um deles pra dentro. Esperando alguma onda levá-lo pra fora, o rapaz entra em desespero quando vê seu irmão mais novo vir em sua direção. Exclama: "Fica!". A resposta, no entanto, triste, veio: "Não consigo!". O primo aquele que decidiu entrar após a insistência, sabendo nadar e sendo comprido em altura, foi ajudá-los após os gritos de socorros. Estava consumado o caos. O desespero tomou conta dos três, que começaram a orar e a pedir ajuda de Deus. Clamaram por Jesus, pedindo auxílio naquele momento de angústia, onde o irmão novo estava desesperado e quase asfixiava o primo, agarrado em seu pescoço. Nesse tempo, já próximo das 20h, o socorro vem em forma de dois salva-vidas, pessoas abençoadas e revestidas da capacidade de ajudar os outros. Nadando até a beira, foi possível salvá-los. O desespero acabara. Foi o fim de uns minutos de estado entre vida e morte. Minutos que mostraram que a vida pode se perder na fração de um segundo, que a vida é demais para deixá-la ser levada pelas ondas do mar. Após isso, entre uma conversa e outra com o salva-vidas, descobre-se que ele estava de saída e que mais alguns poucos minutos, ninguém por perto poderia socorrer os indefesos. O mar daquela praia já tinha levado 2 na temporada de verão do ano. De uma maneira semelhante. Por isso que até hoje nós (Eu, Didi, Pedro) agradecemos a Deus pela salvação naquele dia, pois se não fosse SUA mão, hoje eu não poderia estar lhe contando essa história.

Texto publicado dia 4 de Maio de 2007, sexta-feira, em http://comemipiace2.blogspot.com.br/2007/05/pra-refletir.html

Insônia


A insônia é braba. Só quem já passou por ela sabe como funciona. Um sono extremo das 13h às 23h. Daí em diante ele se esvai e evapora mais rapidamente que alguns gramas de água em fogo ardente. Inimiga mortal dos trabalhadores, amiga dos leitores. Incrível que apenas quem já passou por ela, sabe realmente o que é viver a mil! Aqueles minutos/horas deitado levam você a todo e qualquer tipo de extremo. Coceiras em locais inimagináveis, dores que nunca apareceram, lembranças de tudo o que você tem de fazer na semana e em todo o mês, programado, com horário e toda a ansiedade que isto traz; interessante que na hora do compromisso, você esquece. Voltando às coceiras. Que coisa chata! Por que tudo coça? O pior é que se não temos auxílio humano ou artifício material - eu tenho uma mãozinha bala! -, é necessário levantar da cama, ir até aquela quina de porta ou parede, erguer a camiseta (ou não), e mandar ver naquele esfrega esfrega desenfreado até exterminar com ela, sua coceirinha sem-vergonha. E quem aguenta? Eu não.

Mas e o dia seguinte? Ahhhh... Cá estou eu, no meu computador, com a cabeça prestes a explodir, tendo de me concentrar em diversas atividades para este dia. E adivinha? Dormi mal! Mas nem de todo mal vivem os (in)sonolentos. Geralmente ela vem em decorrência de algo: preocupação, café, má alimentação, entre outros. No caso da preocupação, a insônia se dá como um sintoma importante. É durante aqueles minutos/horas, que descobrimos algumas das nossas maiores ansiedades e problemas. Às vezes à luz do stand-by, debaixo dos edredons da vida, encontramos respostas às nossas maiores angústias. E não finda ali. No dia seguinte, acordamos resolvidos ou então mais mal resolvidos! Contudo, é bom saber o foco, o estopim dessas crises de ânsia e ocupação prévia. 

É, a insônia me pegou. Mas lá vou eu, encarar mais um dia de labuta e estudos. Que Deus esteja conosco!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Sensação de abandono


Sensação de abandono verdadeira. Sei que poucos lêem essa "bagaça". Talvez ninguém leia. Mas gostaria que todos aqueles interessados, ou seja, os "alvos" deste texto, lessem estas palavras vagas que vos deixo. Vagas, pois poderia descrever muito melhor o que sinto, mas não sou poeta e não consigo expressar em todas as letras os sentimentos que aqui se passam. Se bem que duvido que poetas o façam perfeitamente. 

Os dias têm sido estranhos. Insertos na minha vida, passam-se alguns dias de felicidade e alegria. Depois, a constância termina e a vida rotineira toma as rédeas. É uma dura realidade, mas se mostra forte nas entrelinhas desta vida. Mas, sabe de uma coisa? Cansei de chorar. Este é o choro final, assim espero. A sensação de abandono que tenho em meu coração é causada por mim mesmo. Eu devo ser o falho e errôneo nesta história, a minha. Será que vos afasto de mim, o que fiz para tal? Sou um monstro que os lança para longe, na minha imensa soberba egoísta e invejosa? É difícil saber...

Acontece que vocês, a quem dirijo meu texto, parece que me abandonaram. E não me refiro apenas aos que se foram de corpo e alma, mas aos que por vezes lançaram mão de palavras torpes e enganadoras, tomando atitudes de desdém para com minha pessoa. É dolorido, sabia? Quando enxergamos alguém que amamos se afastar, dói. Buscamos, corremos, vamos atrás. No fim, parece que foi tudo vão e, na dor, riem com seus novos colegas. 

É difícil descrever a sensação. O sentimento é muito mais que expresso em palavras. "Te amo" é apenas parte do processo, o resto é interno. E eu amo, ou talvez amava, muitas dessas pessoas. Mas me parece que não foi recíproco. Talvez esteja passando por um período de aprendizado. Mas lhes digo: não venham novamente. Espero estar pronto suficientemente para dizer-lhes na cara: agora não! Não quero mais. Seu tempo passou. Perdôo-lhe, amo-lhe talvez, mas a época passou; valorize quando lhes é digno de ser.

Este texto mais parece uma poesia de um triste proseador. Mas no fim é o que permanece. Digo que as pessoas que me fazem feliz findaram por permanecer e, graças a elas, hoje mantenho-me em pé. Obrigado a elas - sabem quem são ao ler. Obrigado Jesus.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Amizade

Devo ter escrito sobre amizade umas várias vezes. Sei que escrevi incessantemente da falta que amigos fazem na nossa vida. Enfatizei, na esperança de que alguns deles lessem e, quem sabe, pudessem voltar-se para mim a fim de dar um abraço, passar um tempo juntos. Mas não. Isso não aconteceu. Na realidade, a amizade é algo estranho. Enquanto viva, parece sem fim; quando no auge de seu "amor", irredutível. Só que essa não é a realidade. A realidade é que os amigos nos abandonam. E eu afirmava com todas as letras que verdadeiros amigos não abandonam NUNCA. Se abandonou, nunca foi amigo. Se eu pensar dessa forma hoje, devo concluir que nunca, então, tive amigos verdadeiros. Mas sei que os tive. E quando eram meus amigos, era bom. Não digo que hoje se nos encontrarmos, não iremos nos abraçar e lamentar a falta um do outro, mas a "paixão" terminou! E apareceram outros, que não substituem seus lugares, mas ajudam a completar. Só que esses outros também vão embora, e a vida continua. Devo aprender a me acostumar com mudanças - das quais sou fraco em aceitar, admito. Mudanças para mim são quase uma tortura, nesses aspectos. Porém não tenho muito a fazer. O que reside, às vezes, ainda é a dor de sentir aquele abandono, um escanteamento estranho. Quando você lembra de alguém que amava fortemente, e em seguida essa pessoa lhe colocou de canto, sem dó. Você se sente completamente substituível. Acabou seu encanto, acabou sua vez! Outros entram em seu lugar, e parece que os sorrisos não mudam. Mas vou lhes dizer uma coisa: para mim muda! Quando meus amigos se vão, os sorrisos mudam, sim. Eu entristeço com a falta deles. Não aceito de modo fácil e não aceitarei. O fim é que devo me conformar com uma vida dessas, o que findou por me tornar alguém que não deposita ampla confiança em novas amizades. Sempre há um pé atrás, pois cedo ou tarde poderão fazer o mesmo que outros, e o ciclo se repete. Dou graças a Deus por ter uma família que me ama. E além disso, agradeço a Ele por poder depositar minha confiança apenas nEle.