segunda-feira, 8 de março de 2010

Evangélico: ser ou não ser?

Quando me perguntam qual é a minha religião, costumo dizer que sou cristão. Os discípulos de Jesus passaram a ser chamados de cristãos pela primeira vez em Antioquia, conforme Atos 11.26. Esse termo foi utilizado para designar os seguidores de Jesus Cristo, Seus discípulos. Hoje, quem serve a Jesus e O tem como Senhor da sua vida pode ser chamado de cristão. Termos atualmente conhecidos como "canela de fogo", "crente pentecostal", "evangélico", "católico", entre tantos outros não estão escritos na Palavra de Deus e foram criados pelo homem. Por uma escolha particular, decidi olhar apenas para o que está escrito na Palavra de Deus, por isso resisto fortemente a declarar que sou evangélico. Apenas por uma questão de diferenciação para com as demais religiões, muitas vezes preciso dizer "sim, sou evangélico". Embora esse termo seja apenas designativo, ou seja, ele demonstra que eu acredito nos evangelhos e nada mais, atualmente tem-se um estereótipo que acaba envergonhando o verdadeiro cristão, "sujando" o nome da Igreja de Cristo e mesmo envergonhando o nome de Jesus.
Conforme o dicionário português Aurélio, evangélico é "relativo ao Evangelho; conforme ao Evangelho: uma vida evangélica. Que pertence à religião reformada.". Isso mostra que o termo caracteriza alguém que pertence a uma religião tal e que leva uma vida evangélica, conforme o Evangelho. Muito bem, até aí podemos aceitar, embora Jesus não tenha vindo para pregar religião, mas para trazer vida eterna em abundância (Jo 10.10). No entanto, o evangélico do século XXI - minha geração, da qual vou tratar por nela estar inserido - nem sempre é um verdadeiro cristão, palavra que tenho orgulho de utilizar para tratar dos filhos de Deus. Antes de prosseguir, gostaria de deixar claro que minha intenção não é criticar um ou outro, mas apenas tentar mais uma vez "decifrar" a mensagem real de Jesus Cristo, baseado apenas em Sua Palavra.
Amor. Ah, o amor. Presente na vida de todo ser humano. Se existe algum sentimento que todo o ser humano já sentiu foi o amor. Mesmo os mais duros e frios já sentiram amor, isso é um fato e não podemos fugir dele. O mundo está cheio de amor! O ser humano simplesmente não sabe como administrar esse sentimento. Na realidade, o amor pode ser fonte de muita destruição. A Bíblia declara que "o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males" (1 Tm 6.10). O amor ao prazer leva muita gente ao adultério e ao uso de entorpecentes. Mas e o amor de Deus? Esse é diferente. Não é um amor comum que se tem por alguém ou por determinado material, assim como o dinheiro. O amor de Deus lança fora todo o medo, é perfeito, tudo suporta, tudo espera e é o maior dos dons (1 Co 13). Esse amor divino foi o tema da pregação de Jesus. Os evangelhos de Cristo trouxeram a mensagem do amor de Deus para o Seu povo, a humanidade. "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3.16). Então, conclui-se que Jesus veio para trazer vida com abundância, de modo que essa vida seja eterna! Essa é a mensagem de Cristo, nada além. Toda a lei de Deus depende de dois grandes mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Mt 22.35-38). Além disso, Jesus disse que devemos obedecer aos Seus mandamentos. Os evangelhos são simples e mostram direções que devemos seguir para termos uma vida feliz e fazermos nosso próximo feliz, bem como mostrar o amor de Deus a toda a criatura e esforçar-nos ao máximo para cumprir esses requisitos. Assim como um pai ama seus filhos e ensina-lhes o caminho que devem andar, Deus nos ensina a caminhar num caminho único que nos levará à verdadeira felicidade. Se você então pegar todas essas orientações e decidir segui-las de modo que sua vida já passa a pertencer a Deus, você é então um cristão. Não é necessário que você prove às pessoas, até porque se você tentar com suas forças mostrar sua nova vida, possivelmente agirá com falsidade e hipocrisia. Seja então, um cristão que possui duas mãos, de modo que a esquerda não saiba o que a direita faz (Mt 6.3), mas que suas atitudes representem atitudes de Cristo.
O termo cristão está bem definido a princípio. Voltando ao tema, qual então é a razão de existir tantas outras designações não-bíblicas? Isso se deve à tradição eclesiástica. Desde que Martinho Lutero reformou a religião cristã, então representada pela Igreja Católica, muitas vertentes tem surgido em nome da Palavra de Deus. No entanto, contrário a grande parte das religiões, a religião evangélica não manteve um padrão único, de modo que se criaram "sub-religiões" no meio do povo evangélico. Hoje se você decidir dar uma volta pela sua cidade em busca de igrejas evangélicas protestantes (termo absorvido devido à reforma protestante), você encontra dezenas ou mesmo centenas delas. Detalhe: diferentes! Geralmente nos orgulhamos quando os números indicam o crescimento de evangélicos na nossa nação. Mas, o que é ser evangélico afinal? Essa religião está tão desvirtuada que ninguém mais sabe definir exatamente. Se você voltar a dar aquela volta na cidade e decidir parar em todas as igrejas para assistir a um culto, caso isso fosse possível, ouviria as mais diferentes doutrinas, sairia de cada uma delas com um conceito diferente acerca de muitos assuntos e possivelmente se escandalizaria com algumas atitudes ou palavras utilizadas pelo povo e pelos pregadores. Talvez você pudesse se sentir até mesmo constrangido no que se refere às suas finanças e poderia ser envergonhado por alguma revelação que não condiz à verdade sobre sua vida. Inúmeros acontecimentos diversos poderiam simplesmente mostrar-lhe que a religião evangélica de fato não existe em unidade, mas orgulha-se de suas diferenças. Então os termos que citei no início lhe soariam mais familiares. O orgulho de ser "pentecostal", ou "canela de fogo", ou até mesmo "neo-pentecostal", "tradicional", isso, aquilo, aquele outro. Orgulhe-se de ser cristão! Além de tudo isso, hoje ser evangélico está na moda. A moda na realidade é ser gospel. O que você quiser gospel tem hoje. Até mesmo filme pornográfico! Sim, essa dói na alma, mas alguém sem o mínimo do conhecimento de Deus decidiu fazer filme pornô gospel. Essa eu vi na internet, em alguns blogs e sites especializados, então deve ser realmente verdade. Seria uma benção se não fosse. Resumindo: Jesus Cristo está desaparecendo em meio a tanta "confusão gospel". O amor do qual falei anteriormente está sendo sufocado pela explosão gospel, pelas diferenças doutrinárias, pela separação, pelo escândalo evangélico. Jesus Cristo disse certa vez que um reino dividido não prospera (Mc 3.24) e parece que os evangélicos se esqueceram disso. Algumas partes da Bíblia são lembradas, outras não. O mais entristecedor são as atitudes que desvirtuam o Evangelho de sua real essência. Atitudes estas que apenas confundem o povo que busca ajuda em Deus, levando-o à confusão mental e muitas vezes à distanciação total de alguma forma de religião.
Observando o culto a Deus conforme a Bíblia, podemos absorver algumas características importantes:
  1. "Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações." (...) "Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração, louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava diariamente os que iam sendo salvos." (At 2.42-47). Essa passagem demonstra como os primeiros cristãos se reuniam na igreja primitiva. Dedicavam-se ao ensino dos apóstolos, que era o ensino de Cristo. Então, concluímos que eles eram zelosos para com as palavras de Jesus, do Evangelho. Além disso, tinham comunhão entre eles, assim como uma família, pois partiam o pão, ou seja, dividiam seus bens uns com os outros. Reuniam-se no pátio do templo para louvar a Deus e manter a comunhão de irmãos. Esse é um dos requisitos para ser igreja de Cristo.
  2. "Mas tudo deve ser feito com decência e ordem" (1 Co 14.40). Após discursar sobre o culto, Paulo deixa essa instrução. O texto é extenso, mas alguns pontos são de destaque. Paulo diz que alguns teriam salmos, palavra de instrução, revelação, língua ou interpretação. Todos esses pontos são vistos hoje na igreja evangélica, no entanto, nem sempre são reais, sinceros, e dificilmente são tratados com a devida ordem. Se você ler o texto completo do versículo 26 ao 40, entenderá que Paulo assume que a ordem e a decência estão acima de tudo. Deus não é de confusão, mas de decência. O apóstolo ensina também que toda profecia deve ser julgada cuidadosamente. Dificilmente temos a oportunidade de nos manifestarmos contra determinado ensino que tenha ido contra os princípios bíblicos. Não temos a abertura de "julgar a profecia", mas somos intimados a aceita-la.
  3. "Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor." (1 Co 13.13). Para um terceiro e último tópico, decidi escolher um versículo tão comentado antigamente e tão esquecido atualmente. Paulo declara que a fé é importante, bem como a esperança, contudo o mais importante e maior é o amor. O dom supremo é o que deve reger a Igreja de Cristo. Se houver ordem, decência, comunhão, pregação, ensino, mas não houver amor, de nada valerá. Se todos os ingredientes estiverem juntos, a comunhão com Deus é certa e o verdadeiro culto ao Senhor será entoado.
Analisando esses princípios básicos que eu enunciei - não são todos os disponíveis na Palavra de Deus, mas podemos ter uma base verdadeira com eles -, basta segui-los. Se a Palavra ensina dessa forma, por que mudar e não cumprir? Se realmente somos cristãos, filhos de Deus, temos que seguir Seus ensinamentos e não a tradição religiosa. Portanto, ser ou não ser evangélico? Pertencer ou não a um rótulo? Sempre gosto de explicitar meu gosto variado por música. Até mesmo quando eu ouvia muito metal, não gostava de ser rotulado como "metaleiro", pois paralelamente ouvia outros sons. Hoje, quando faço minhas músicas, não gosto do rótulo de gospel, ou rock, ou isso, ou aquilo. É música, sem rótulos. Assim funciona para mim com a religião. Sou cristão, sem rótulos. Não quero ser pentecostal - termo que surgiu devido ao dom do Espírito Santo em pentecostes, conforme Atos, e que se propagou entre algumas vertentes evangélicas para caracterizar determinado tipo de povo -, nem neo-pentecostal. Não desejo isso pra mim nem pra você! Acredito que Jesus deixou os termos que Ele queria, ensinou da forma que Ele queria e não precisamos continuar escrevendo a Bíblia da forma como bem entendemos. Essa confusão evangélica apenas atrapalha a verdadeira pregação do Evangelho. As divisões criam contendas e brigas entre os líderes das denominações, que se atacam em prol de suas doutrinas.
Bem. Volto a enfatizar que não estou criticando quem quer que seja, apenas expus minha opinião baseada na Bíblia com relação ao Evangelho de Cristo. Esse, que deve ser pregado. Para finalizar, gostaria de deixar um versículo muito importante na minha vida, um texto que me marcou muito. Como reconhecer um cristão? É aquele que freqüenta a igreja todos os dias? Aquele que se diz evangélico? Ou então, o que anda diariamente com a Bíblia embaixo dos braços? Talvez seja aquele que chora muito nos cultos? Não excluindo essas possibilidades, pois a resposta a essas perguntas pode ser sim, em todos os casos, mas a única e verdadeira maneira de ser cristão de verdade está escrito em João 13.35: "Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros".

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