Da minha janela vejo muitas coisas. Pra ser sincero, não via há muito tempo. Quando estamos vendados, nada à frente parece brilhar. E por muito tempo me senti assim, vendado. Como se um tapa-olhos estivesse diante de mim; talvez numa melhor alusão, por muito tempo me senti como se uma viseira equina tapasse qualquer visão ao derredor. E nesses momentos, a única coisa possível e passível de ser feita é olhar para frente, não mais vislumbrar determinadas cores, enxergar tons de sépia e escala de cinza, misturados em um preto-e-branco sem graça, tirando a alegria e beleza da vida. E nesses momentos, é essencial refreá-la. Remover a viseira e olhar em volta, vislumbrar as cores, reaprender a enxergar e visualizar além dos pequenos graus de liberdade que anteriormente nos eram permissos. Resumindo, necessário é abrir a janela. E eu fiz isso hoje. Havia decidido fechar a veneziana desta que ao meu lado está. Mas, ao abrir os vidros para poder puxar os retos de madeira e cerrar qualquer interferência externa, por um instante me permiti admirar a paisagem que ali estava. À esquerda, um esquecido coqueiro antigo, o qual carrego em memória há muitos anos; à direita, a paisagem iluminada pelos lumiares de uma cidade vizinha; e, por fim, acima, um céu maravilhosamente desenhado com nuvens deixadas para trás no findar de alguns dias chuvosos e um tom azulado que apenas a natureza tem capacidade de conceber. Foi especial e essencial abrir a janela. Pude relembrar motivos que me fizeram sorrir e que ainda o podem fazer.

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